Encerrado ontem (23/03/2013), o I Curso "Direito de Trânsito: Compromisso com a Cidadania", promovido pelo Projeto Direito Solidário em parceria com a Prefeitura de Uberaba e a Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes de Defesa do Patrimônio Público (SETTRANS), foi um sucesso. Nada menos que 51 estudantes universitários, todos alunos da Faculdade de Talentos Humanos (FACTHUS), concluíram as atividades e receberam certificação de 10 (dez) horas.
Durante o curso foram abordadas questões como: a disciplina do Código de Trânsito Brasileiro, Educação de Trânsito, Legitimidade da Guarda Municipal para Fiscalizar o Trânsito, Regras de Circulação e Conduta, Ampla Defesa e Contraditório no Processo de Recurso Administrativo (JARI),Gerenciamento e Processamento de Infrações e Posturas Municipais.
A equipe da SETTRANS, composta por Hélio, Betsy, Wellington, Mauro, Luiz, "Maguila", Menezes, Claudinéia, Rodrigues e Renê simplesmente deram um show. Além dos conhecimentos específicos, os alunos assistiram a uma dramatização teatral da realidade de um cadeirante e as angústias provocadas por um acidente de trânsito.
Contudo, nada foi mais relevante que o depoimento da Eduarda, que com apenas 22 anos foi vítima de um acidente provocado por uma advogada de 57 anos, que dirigia embriagada, e colidiu com a motocicleta em que a jovem e seu namorado passeavam provocando-lhe a fratura do fêmur e de uma vértebra e fugindo do local sem prestar socorro. Hoje, 6 meses após o acidente, "Duda" e a família lutam para que ela possa voltar a andar.
Sem dúvida, todos aqueles que deixaram de lado o lazer do sábado para participar do curso foram recompensados com novos conhecimentos e acima de tudo com uma ação transformadora de como enxergarmos o trânsito e as nossas obrigações em sua dinâmica.











Bom dia ilustre colega e professor.
ResponderExcluirGostaria de agradecer à SETTRANS e ao senhor, a oportunidade de divulgar a nossa história e, com isso, quem sabe, fazer alguma diferença, salvar vidas (rss.. Foi exatamente esse o convite que a Bethsy e o Helinho nos fizeram)... É uma causa pela qual definitivamente vale a pena lutar - salvar vidas. E posso na qualidade de mãe, dizer que pra Eduarda, estar junto à todos vocês, foi muito importante. Um sentido, uma força, um motivo a mais pra viver, sentir-se útil.
O acidente, ocorreu em 19/novembro/12, há 4 meses. Duda era uma jovem independente, que corria com seu filho, o levava à escola e não podia ouvir uma música da qual gostasse que começava a dançar, até às 23:38 daquele dia. E, daí por diante, já não sentiu ou pode mover-se da cintura pra baixo. Junto com os movimentos e a sensibilidade da cintura pra baixo, os quais luta por recuperar, Duda perdeu sua independência e autonomia. Foi obrigada a contentar-se com ver o seu filho correr sem poder acompanhá-lo, obrigada a vê-lo sendo banhado, levado à escola, cuidado por mim ou por mim, por minha mãe ou outra pessoa. Aos 21 anos, porque faz aniversário em dezembro, foi obrigada a aposentar seus tão alegres passos de dança.
A pessoa, que postergou alguns sonhos e faz minha filha deixar de viver tudo aquilo que ela preza, tinha à época, 57 anos (isso mostra que idade não importa em responsabilidade), é mãe de família (com filhos em idade similar à de Duda), é pessoa estudada (não é advogada, mas bacharel em Direito), funcionária pública (grau de escolaridade, cargo, não importam em responsabilidade), estava alcoolizada (provando uma vez mais que álcool e direção não combinam), dirigia seu automóvel, desrespeitou as Leis de trânsito, o sinal vermelho, impôs a paraplegia à Duda e mudou, drasticamente, a dinâmica, a vida de uma família inteira!
Hoje, a Duda depende da gente pra se locomover, pra se lavar e até mesmo para urinar... Segundo os médicos daqui, a chance de reverter a paraplegia é remota. Mas nós continuamos lutando e vamos continuar lutando sempre...
Se não bastasse tudo isso, ainda tivemos que aguentar alguns preconceitos: o de ser jovens (de onde vem a crença de que é sempre o jovem quem está errado?), o de estar em moto (por que é sempre o motociclista, visto como culpado?), mas essa é outra história.
Muitíssimo obrigado em meu nome e em nome de Duda.
Nós é que agradecemos pela lição de vida e pelo despertar de muitas pessoas para uma necessária conduta responsável no trânsito.
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